eu tenho medo do fim dessas ilusões, de descobrir que no fundo, sempre no fundo, tudo era produto da minha mente que não consegue passar um instante qualquer sem fantasiar. e tenho medo de ter fantasiado cada uma das quatro paredes do meu quarto, cada uma das minhas quatro seguranças. não que eu não esteja acostumada com incertezas, mas quando elas se misturam com o que me mantinha, com o que dava as cores nítidas, é doloroso. e agora tudo vai ficando...opaco. eu precisava que você mudasse o tom, eu precisava de doze mudanças de matizes e não desse contentamento amargo, desse engolir em seco e pensamento que vai ficar tudo bem. porque não vai. ou talvez fique, nunca se sabe. quem sabe eu só precise de algo que me surpreenda.
little pieces of nothing.
31.10.07não é que algo esteja errado...
...mas nada está certo também.
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dessa noite vazia.
27.10.07eu não sei o que eu digo e tampouco queria saber dizer só vim aqui pra jogar essas palavras antes que seja tarde antes que. às vezes é quase insuportável sentir assim tão forte sem poder escolher ou explicar porque ninguém, nem mesmo eu, entenderia. ninguém sequer ouviria. é muito interno o vazio solitário e muito constrangedor colocar pra fora quando todo mundo te imagina num tom que na verdade verdadeira é muito mais escuro. quem sabe não todo o tempo, só nesses momentos em que calar dói tanto, talvez, nesses momentos que parecem uma noite sem fim e quanto mais se espera pelo sol nascer mais escuro fica. e aí o que se faz?
eu desejo ser indiferente desejo ser igual desejo ter um livro nas mãos ou uma música que parece que vai salvar nossa vida. dizem que a arte não tem função mas eu bem sei que a função dela é salvar minha vida.
curioso que la gente crea que tender una cama es exactamente lo mismo que tender una cama, que dar la mano es siempre lo mismo que dar la mano, que abrir una lata de sardinas es abrir al infinito la misma lata de sardinas.
as minhas latas e as do cortazar são diferentes talvez, se eu soubesse o que é diferente eu podia dizer, talvez. se eu soubesse de algo eu podia dizer, de fato. e não me venha com a filosofia do que negócio que a questão nada tem com isso quando a culpa é minha e da minha mentira. quando a minha vida é mentira.
e ela é. vezenquando me dói. profundamente.
você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. mas eu fico sempre do lado de fora. aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?
tá me entendendo? tá entendendo que eu preciso da palavra exata da chave da chave da chave do tamanho do abridor de latas perfeito e de toda essa tralha inútil mas que preenche? tá entendendo que, pelo menos até o amanhacer, eu preciso acabar com a mentira com a noite com o que incomoda e eu não sei dizer.
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O Que Há.
6.10.07O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos.
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já que isso aqui é meu...
e eu tenho total direito de dizer todas as abobrinhas que sentir vontade, eu queria, assim, bem depressa, ressaltar como são incríveis os pequenos instantes em que tudo é uma doce compreensão e todas as pecinhas disso que é a vida se encaixam perfeitamente.
pronto.
viverei.
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festival do rio de cinema #1
24.9.07por l.m. 2 comentários
trés souvent,
11.9.07mon silence parle pour moi. et il dit tous les petites choses qui m'échappent.
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devaneio (sem sentido) na areia;
5.9.07eu me concentrava em olhar o mar, como se nada mais importasse; o meu infinito junto ao dele e qualquer, qualquer resquício de existência era levado pelas ondas. para se afogar lá no bem fundo - de mim.
e talvez se afogar não fosse ruim, talvez eu, secretamente, desejasse que o mar me levasse para onde quer que fosse. ser uma conchinha, daquelas que os pequenos acham e guardam, com carinho, porque conseguem ouvir o barulho das ondas. ou pelo menos assim fantasiam.
na minha infância subjetiva, fantasio junto. mas já não quero ser conchinha, porque de me sentir pequena já cansei. é, eu preciso descobrir como é essa coisa assustadora que chamam crescer e que, aqui por dentro, parece longe de acontecer.
talvez por isso o mar me deixe tão calma. ele é imenso, chega a assustar pela sua grandeza. a quase todos, mas não a mim. é que eu vejo nele o tudo e o nada ao mesmo tempo. o grande que só existe por causa do pequeno, que, de tanto mudar, nunca é o mesmo. e isso combina com o meu vazio, que se preenche de não-sei-o-que, e vai, vem, vai e vem.
é, só quem pode entender é o mar - tão pequeno, e tão infinito.
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nos dias de sol,
você colocava seus óculos, aqueles enormes e caríssimos óculos escuros. me dizia pra usar também, que tudo mundo ficava mais bonito de óculos escuros, que era chique.
mas não, eu não gostava. eu sempre preferi quando chovia. eu gostava de ver seus olhos, eu gosto dos olhos. e não daquelas lentes pretas que escondem os olhos do mundo.
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ouça bem;
4.9.07no fundo, naqueles locais escondidos onde só se chega com muito coração, há sempre um silêncio. tão ínfimo que mal se pode (não) ouvi-lo. tão pessoal que raramente chega-se a alcança-lo. mesmo quando ele é seu. e, não duvide, você o possui, ainda que existindo-não-existindo alternado a cada hora, minuto, segundo.
pois há mistério no silêncio, ou talvez o silêncio seja o próprio mistério. sim, o silêncio é o mistério. é o que há de imprevisto na previsibilidade do dia, dos sentimentos programados para serem sentidos. o silêncio não os respeita, sussurra sorrateiramente saídas secretas. o silêncio sonha. fantasia alto, quando sequer nos pensamos capazes disso.
até percebermos, numa quarta ou quinta feira de tarde, geralmente quando faz sol. ou então numa terça de manhã, quando se caminha na chuva - e o vento batendo no rosto, mas de repente você não se importa de ficar gripado. ou sente uma vontade, que não sabe de onde vem (e vem do silenciozinho escondido) de ouvir uma certa música, dizer uma certa frase - eu me sinto tão bem! - ou tomar um picolé de uva.
e simplesmente não se pode evitar. ou pode, do mesmo jeito que se evita uma alegria ou um sorriso. até porque o silêncio também é sorriso, misterioso sorriso. assim como o silêncio é o ser, em sua totalidade e sua particularidade; é que por dentro, a gente é um mistério que sorri.
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