eu gosto (tanto) de gente que dói.
conforto inquieto;
25.9.10passam os dias, os meses, os anos, o amor não. o amor se revigora, a cada passagem. o amor ainda me surpreende, me arrepia, me faz sentir como se estivesse descobrindo tudo isso. o amor é redescobrir tudo isso.
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basic space;
14.7.10já não me lembro das luzes da cidade, ou do sabor das minhas comidas prediletas, tampouco do que eu gostava de fazer ou conversar com as pessoas. esqueci os barulhos da minha casa - e vivo me assustando!, qual a sequência das ruas em ipanema ou como devo me segurar forte pra não cair no ônibus em movimento. talvez por isso não tenha muita vontade de falar, e até agora mais do que contar, ouvi as histórias de quem ficou. tento me concentrar no espaço entre quatro paredes onde durmo e fazer dele um quarto outra vez. tento - e como! - aprender a te ver com os olhos de quem passou tanto tempo longe e não te viu mudar. mas a verdade é que a cada dia me sinto mais e mais estrangeira nisso que era antes a minha vida.
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coisas pequenas;
15.10.09sempre que acordo de madrugada tento tapear a sono terrível pra, por alguns segundos, ficar te olhando dormir. pode parecer besteira, mas isso me dá certeza de que vale a pena levantar toda manhã.
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chuva;
26.9.09e os sinais chegam aos poucos: no começo você deseja o mar, palmeiras. depois chega até a cogitar uma casa, família e, o mais difícil, felicidade. e então está se perguntando sobre as coisas inimagináveis, mas imagina, imagina sem parar. ainda não há sol - talvez nunca haja - mas, ainda sim, há reykjavík; e toda a felicidade imaginada. concreta. mesmo que apenas por uma noite - reykjavík sempre existirá.
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(coisas soltas)
7.6.09no trem em algum lugar da áustria, 20/7/2008
-i'm leaving.
-me too.
-no, you're not.
-yes, i am,
-where to?
-vienna.
-why?!
-it was a surprise, for you.
-why?!
-because long ago i've decided i'd never leave someone i love.
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simples metáfora do escrever;
30.5.09e então passou um tempo muito tempo e todas as coisas as pessoas foram parar em caixas pequenas empilhadas em torres enormes e não te restou nada a não ser abrir e abrir repetidamente todas as caixas em busca de algo que ainda tenha aquele cheiro brando de ar puro porque agora tudo é mofo e você não encontra tudo virou pedaços soltos e você se desespera e se pergunta tantas vezes onde é que foram parar todas as suas doces palavras que jamais caberiam em claustrofóbicas caixas mofadas-
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ceninha #1
16.5.09seq. 1 - ext/ dia
alice abre a porta da varanda e suspira. ela está visivelmente nervosa e aparenta ter chorado. alice veste uma blusa verde bastante comprida. ela atravessa a varanda, se debruça no parapeito, suspira novamente e leva as mãos à cabeça.
alice
você não entende? seu lugar é aqui! aqui! com todos os muros e proteções que contruímos contra os dias frios e cinzas. e quando você parte, tudo vai com você. vê? hoje até chove!
alice suspira novamente e se cala. na rua, vê-se uma pessoa coberta por um guarda-chuva e carros passando lentamente.
alice
e isso, isso é o amor! é essa coisa que faz nossos dias serem coloridos e nos impede de controlarmos os sorrisos. é essa certeza incondicional de sermos as pecinhas que se encaixam no quebra-cabeça e que faz ser mágico estar junto. você tá me ouvindo?
na rua a pessoa coberta pelo guarda-chuva mantem-se estática. ao seu redor estão outras pessoas, e todas olham para ela.
alice
hein? porque eu queria te dizer que isso é pra sempre! e que ninguém vai tirar de nós. eu te amo, eu te amo! agora, por favor, sobe de volta?
as pessoas na rua ficam bastante efusivas, batem palmas, gritam e esperam uma reação da pessoa coberta pelo guarda-chuva. ela vira e segue andando pela rua.
alice senta no chão da varanda, de costas para a grade, e chora. põe a cabeça entre os joelhos e assim permanece por algum tempo. algo cai sobre sua varanda e ela levanta a cabeça. pega e descobre que é um pequeno embrulho de presente. abre o embrulho e encontra um papel. nele lê-se: eu não duvido. é amor mesmo. fecha bem as portas pro frio não chegar aí. eu volto.
alice levanta, olha para baixo e sorri.
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(eternal sunshine)
4.4.09
Joel: I did. I walked out the door. I felt like I was a scared little kid. I thought you knew that about me. I ran back to the bonfire, trying to outrun my humiliation. You said, "so go" with such disdain.
Clementine: What if you stay this time?
(Joel: I love you.)
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é preciso estar bem acordado;
5.3.09está certo que não somos as pessoas mais organizadas para defender grandes-causas-coletivas. a verdade é que muitos dos nossos homens sequer se conhecem, o que, no entanto, não impede que eles se reconheçam todas as vezes em que se cruzam pelas ruas. e enxerguem dentro de cada um dos outros o mesmo estranho brilho que sentem dentro deles mesmos; como feitiço ou armadilha.
é que nenhum de nós conseguiu, até então, identificar qualquer razão para sermos como somos e estarmos, mesmo que um pouco inconscientemente, disputando esta batalha. e nada disso por falta de tentativa, diga-se de passagem, porque, apesar de fugirmos irremediavelmente ao tema e contexto, temos uma notável capacidade inventiva e investigativa.
dentro de nós as coisas voam, numa espécie tão alegre de caos que só de pensar que eles nos condenam deixo cair todas as bolinhas coloridas equilibradas num complexo malabarismo. não creio que tenhamos feito algo de errado; apenas seguíamos nossa própria ordem.
talvez estivéssemos andando em suas ruas um pouco distraídos demais. talvez olhássemos para o céu, mas seria isso o bastante para desestabilizar toda a sua ordem?serão nossos homens menos capazes simplesmente por enxergar mais cores do que os outros? ou são as lágrimas repentinas que, junto ao aquecimento global, podem inundar todo o requinte tecnológico de sua civilização?
já não posso ver com os seus olhos, estou fadado ã minha sina de buscas inalcançáveis e brilhos inexplicáveis, mas reconheço que deve haver algo de muito grave. eles estão agindo de forma imensamente ofensiva; eles querem acabar com nosso direito de sonhar.
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i love you more than blank;
3.2.09
(e muito, muito mais do que o trabalho que deu organizar isso no paint)
mais aqui.
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- expectations;
8.1.09i felt down the stairs
(but i could never find your arms)
and it still hurts;
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- sobre o que grita:
7.1.09this must be a rock that got inside of me, because, from what i know, it could never be my heart.
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carta para o seu próximo ano;
25.12.08em primeiro lugar, eu preciso te dizer que, diferente do que pensa, eu compreendo sua dor. ainda que seja numa compreensão mansa e que flutua acima de cada uma das feridas centrais. eu as vejo, com a minha incurável leveza, é claro, mas sempre sei qual pontinho te dói mais a cada dia e o tamanho do seu desespero para curar tudo isso e, no entanto, constatar: não há nada que possa ser feito.
essa é uma das confissões mais difíceis de se fazer, porque destrói um por um daqueles tijolinhos que nos esforçamos tanto para carregar e erguer o muro do controlar-se-a-si-mesmo. e de repente não é assim que funciona e algo ou alguém sem qualquer piedade com o seu esforço te leva ao chão.
eu te peço calma nessas horas; há sempre novos tijolinhos esperando para serem usados, eo que vale mesmo é a sensação de crescimento mais do que o fim. eu sei que seus olhos enxergam muito mais o lado de dentro do que qualquer das coisas que te cercam, mas vezenquando é preciso olhar adiante. o futuro, por mais clichê que seja, é sempre uma surpresa.
e pela forma como você distraidamente trilha os caminhos mais bonitos - ainda que depois se desespere achando que fez tudo errado, eu não tenho a menor dúvida de que coisas incríveis te esperam. acredite em mim, logo vai chegar aquele dia em que se pensa: ainda bem que todas as coisas aconteceram exatamente como aconteceram para me trazer precisamente a esse ponto da vida. sim, ele existe e vem quando todas as pequenas coisas alegremente se alinham formando algo colorido e enorme, mas isso aí você não pode planejar.
aconselho que caminhe por todas as ruas de sua nova cidade não-buscando tudo aquilo que ninguém é capaz de ver da sua forma sempre doce. é esse seu jeito de mergulhar e se perder dentro de casa uma das suas pequenas coisas que sempre me fez pensar que você seria a mais feliz de nós.
e ainda acredito que, nessa esquina ou na próxima, você vai se dar conta da felicidade transbordante, da mão que te guia pelos caminhos, das pessoas que você cativou sinceramente durante o seu caminhar e, sobretudo, de como você é infinita em possibilidades e amor. nesse momento, espero que lembre das minhas palavras e sinta vontade de pegar o primeiro vôo de volta só para sorrir para mim o seu mais doce sorriso e me abraçar.
mas siga. e não desista nunca do seu caminhar tão único, tendo sempre o amor como força. tendo sempre todo o meu amor como força - você sabe que ele será sempre seu.
um beijo doce,
mariana.
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uma distância e meia;
20.12.08sempre achei intrigante e seguro ter você dizendo me conhecer muito melhor que eu. mesmo do meu jeito risonho-desconfiado, sempre acreditei; até porque, isso nós dois sabemos, o meu forte nunca foi auto-conhecimento. você me dizia que meu caos era tão colorido que eu jogava uma idéia de cada cor para o alto para depois pegar aquela - ou mesmo umas duas ou três - que me chamasse mais atenção pairando sobre a minha cabeça.
em todos os momentos, isso me pareceu bastante delicado, e eu sentia até um certo orgulho de ter uma coleção tão vasta de cores. vezenquando, tentava mesmo imaginar que cor eu teria escolhido em uma ou outra situação, mas raramente conseguia pensar em uma só. agora acho que as cores já deviam vir trançadas ou todas embaralhadas; é assim que vejo minhas idéias.
você sempre colocou tudo de um jeito tão docemente simples que, na verdade, nunca fui eu. minhas idéias, meu pedro, nunca vieram de cima da cabeça e nem mesmo de dentro dela. o que você nunca entendeu foi que tudo o que existe de colorido sempre esteve no coração. inacessível. e agora eu sei que nunca foi sorte a minha ter tantas cores dentro de mim, porque me canso de cada uma delas tão depressa que talvez minha vida seja sempre uma busca por novos tons.
e será, meu pedrinho. será ainda preciso aprender uma forma de contar aos outros os meus novos tons. não por capricho, como você sempre disse, mas por necessidade. preciso sempre e sempre dar sentido aos caos antes que ele retire o meu próprio sentido. para que sentir não seja intolerável.
e isso, você nunca soube. como também não percebeu que as minhas "terríveis doces crises", como você dizia, hoje causam esse distanciamento definitivo entre nós dois. agora eu sou e é você; em cidades sintonias continentes cores distintos. eu preciso respirar diferente, preciso mergulhar no que não conheço, preciso que a vida seja menos azul, pedrinho. e você é todinho azul.
o azul mais bonito que eu já vi. e por quem eu vou sempre ter o maior dos meus carinhos multi-coloridos.
até logo.
isadora.
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