all the lonely people...

11.5.08

não importa a proximidade, o outro seria sempre apenas o outro, como numa sina de solidão.

(belle and sebastian)

24.4.08

oh, i'll settle down with some old story
about a boy who's just like me
thought there was love in everything and everyone
you're so naive!



(get me away from here, i'm dying.)

(my blueberry nights)

16.4.08

- you still have the keys?
- i always remember what you said about never throwing them away, about never closing those doors forever. i remember.
- sometimes, even if you have the keys those doors still can't be opened. can they?
- even if the door is open, the person you're looking for may not be there.



(a few years ago, i had a dream. it began in the summer and was over by the following spring. in between, there were as many unhappy nights as there were happy days. most of them took place in this café. and then one night, a door slammed and the dream was over.)

tudo numa coisa só: a terceira parte;

15.4.08

sem que eu esperasse, você me deu as mãos para me levantar e tirar de todo o marasmo e das incertezas anteriores. ainda que não me levasse a lugar algum, eu já estaria satisfeita; jamais teria a força necessária para me erguer sozinha. mas, além disso, você permaneceu e me fez estar tão próxima a ponto de não mais podermos fugir ou negar o desejado desfecho. aquele exato instante que eu repassaria repetidas vezes em minha mente, como o último resquício de esperança: suas mãos no meu cabelo, meus braços rodeando sua cintura. e o coração aquecido, certo de aquela é a sua única verdade. pour toujours.

tudo numa coisa só: a segunda parte;

eu me confiei a você. pela primeira vez, deixei abrirem a porta secreta ao centro de tudo. para depois descobrir que nunca houve um centro, para então deixar que o tudo se adaptasse aos seus doces contornos e inconfundível presença. o meu coração nas suas mãos e naquele conflito entre dizer e negar, ser e não-ser, sempre com excessiva intensidade. todavia, sequer me questionava a respeito da propriedade dos meus atos e do meu coração; você parecia onipotente e onipresente, enquanto eu era sempre a falta. você me preenchia. até que notei. nas quartas de tarde e outros momentos igualmente irrelevantes, você se distraía, enquanto eu me concentrava em memorizar aqueles instantes. e passou a ser tão frequente, passou a existir várias oportunidades em que eu soube que poderia me reaver. e, no entanto (bem sei que prefiro estar em você).

tudo numa coisa só: a primeira parte;

não saberia explicitá-lo, mas sei de sua existência: o vigésimo primeiro momento. depois de tantos enganos, implicâncias e falhas, nada mais natural que sua ocorrência. e o nosso silêncio, esse não mais acompanhado de pedidos de atenção no meio da noite - sequer havia tais noites - mas que, ainda assim, não feria; à distância, apenas aceitávamos sua plenitude. até o encontro, aquele confronto cruzado entre nossas (in)certezas. mantínhamos o silêncio, mas não podíamos negar aquela cumplicidade tácita escondida atrás de pequenos olhares, perguntas planejadamente desinteressadas e vontades interrompidas. eu soube o seu olhar de reprovação ao me oferecerem um cigarro, não soube o que fazer quando te vi dançando e, espantada com nossos rumos, notei que te sei, soube, saberei. sempre.

a tempestade carrega a calmaria;

6.4.08

não há qualquer beleza em minhas palavras, não tente enxergá-la e nem diga nada a respeito. existe nelas apenas o desespero áspero, a última tentativa de consolo quando todas as outras são inexistentes. porque são duas da manhã e o medo me percorre inteira, sem qualquer outra possibilidade de apaziguar. um medo que chega ao centro de tudo e não se deixa verbalizar; um medo maior do que o próprio sentir-medo. e não há nada a fazer além de derramar as palavras, além de utilizar essa força escura que se aproveita da minha fragilidade. não há mais nada nem ninguém no momento. minha força está na solidão, eu preciso dizer para tentar explicar a consecutiva ausência nos instantes exatos em que eu mesma me falto a mim. o meu ideal de salvação é uma mão para segurar, um descanso na minha loucura, como para guimarães rosa. mas preciso me contentar com o quarto vazio e o fechar dos olhos do mundo. com a força que surge apenas da minha fragilidade e, de repente, torna-se brutal, de repente torna-se palavras e palavras escritas como forma de expelir o medo a angústia o não-sei-mais que existe por dentro. vezenquando olho no espelho e tomo sustos por ele não me saber e jamais denunciar o vazio ou mesmo a força brutal. talvez seja esse o motivo de ninguém mais compreender; não enxergam o invisível. e por tanto tempo esperei por uma palavra que pudesse salvar ou por uma ínfima compreensão que agora sou só desgaste. agora o medo se apodera e eu fecho os olhos. e busco força na minha solidão, porque é tudo que me resta.

~

it's just: love.

on est toujours dans la même histoire;

1.3.08

movimentos ritmados intencionados a roubarem o espaço do sentir-demais não irão adiantar. todas as tentativas serão inúteis, bem sei. e, no entanto. e, no entanto. repito, na esperança de existir alguma resposta nas gastas repetições, na busca incansável, na fadiga intolerável. no fundo da descrença há sempre uma centelha de luz que mal pode esperar para ser acessa.

não sei como sobrevive, pois há tanto tempo é inverno por dentro; ventos gelados, vazio demográfico e total congelamento. talvez esse seja mesmo o último resquício, a última e
desesperada tentativa de acender aquilo que um dia fez brotarem tantas flores. tentar recuperá-las, a custo de qualquer dor, parece a única alternativa viável. por mais que doa terrivelmente sempre encontrar as portas trancadas, as janelas encobertas e o toque da campainha recusado.

esses momentos costumam ser incrivelmente férteis para a imaginação-paranóica, que enxerga todo o tipo de coisas (in)desejáveis e quase consegue sentir o agradável calor do lado de dentro daquelas cortinas cerradas. por fora, o frio agrava-se, como se simplesmente não fosse possível existir forma de vida que não estivesse contida naquelas quatro paredes. lá, onde seria preciso estar. ou de onde será preciso fugir.

é quando surge a tentativa de abstração, de ser e estar em uma dimensão diferente, alheia a tudo o que já foi. ato de covardia ou não: mais uma cerveja, mais uma música, mais uma noite com alguém qualquer. ou alguma outra forma igualmente desesperada de euforia vazia a que se possa recorrer; praticamente apelar. o caos externo se sobrepondo ao interno parece funcionar.

ou assim tenta-se acreditar, como se qualquer ato aleatório pudesse ajudar. inutilmente. é um despropósito construído inteiramente sobre um terreno infértil, um terreno que ainda conserva as raízes das flores antigas, o aconchego da casa anterior. e seria doloroso demais arrancá-las, seria, talvez, o apagar da última centelha, sucumbindo à mais profunda falta de rumo.

a absurda contradição consome qualquer ínfima tentativa de sensatez ou procura de novos rumos; nenhum outro seria. resta, apenas, o desesperado esperar: dias em frente a porta tocando incessantemente a campainha seguidos de outros tantos passados entre lágrimas e pequenos êxtases, vezenquando até pequenas liberdades - nunca consumadas. constantemente a angústia palpitante e a frase, tantas vezes repetida numa espécie de mantra: deve haver alguma dignidade nisso tudo.

...

12.2.08

just pretending you didn't tear my world apart.